
Na primeira Assembleia de 2026, os técnico-administrativos da Uerj promoveram amplo debate sobre a conjuntura política e as condições de vida da categoria. Os acontecimentos políticos e a estagnação das reivindicações dos trabalhadores – notadamente a reformulação do plano de carreira, o não pagamento das recomposições salariais de 2023 e 2024, além do não pagamento dos auxílios Saúde e Educação dos servidores da Uerj – levaram os trabalhadores a defender ações mais contundentes com o intuito de fazer com que o Governo cumpra tanto as leis quanto os compromissos assumidos com os servidores.
Diante do cenário que inclui a proximidade do período eleitoral, que exige que mandatários políticos se afastem de seus cargos seis meses antes do pleito a ser realizado em outubro, a categoria deliberou a entrada em estado de greve.

Ao longo da sessão, os trabalhadores ressaltaram a necessidade de a categoria se engajar na luta política. O delegado sindical Jorge Luís Mattos (Gaúcho) afirmou que cada servidor deve ter a consciência de seu papel e participar ativamente da luta como única forma de alcançar suas demandas.

Entendimento reiterado pela coordenadora geral Regina Souza, que afirmou que o sindicato cumpre o seu papel ao aprovar, convocar e promover paralisações da categoria para as manifestações. Inclusive intervindo junto a chefias setoriais em defesa do direito de os trabalhadores poderem participar das manifestações. No entanto, de acordo com ela, os servidores precisam se engajar muito mais na luta política.
Fosperj

O coordenador Social, Cultural e Desportos Sérgio Dutra afirmou que o Fórum Permanente dos Servidores Públicos Estaduais do Rio de Janeiro (Fosperj), teria uma reunião nesta quinta-feira (29/01). O encontro, o primeiro do Fórum de entidades sindicais de 2026, tem como objetivo debater a conjuntura política e apontar caminhos para a luta dos servidores. Uma das possibilidades a serem avaliadas, segundo Sérgio, é a realização de manifestação na Assembleia Legislativa no dia do início da sessão legislativa de 2026, em fevereiro.
Atrasos salariais dos terceirizados
Outro ponto destacado pelos trabalhadores foi os constantes atrasos salariais de trabalhadores terceirizados que prestam serviços à Uerj. Os servidores ressaltaram a necessidade de solidariedade de classe para com os terceirizados, conclamando os técnico-administrativos a se somarem aos protestos dos terceirizados contra os atrasos, como a manifestação desta quinta-feira (29/01), no Hall do queijo.
Sobre a questão, Regina enfatizou que historicamente o Sintuperj sempre apoiou a luta dos trabalhadores terceirizados contra a exploração sistemática da qual são vítimas. Contudo, todas as vezes que a Diretoria do Sintuperj participava das manifestações dos terceirizados o sindicato que representa esta categoria compelia os diretores do Sintuperj a não participarem.
Secretaria de Ciência e Tecnologia
Durante os informes, Regina afirmou que uma segunda reunião com a Secretaria de Ciência e Tecnologia para tratar sobre a reformulação do plano de carreira ocorreria no final deste mês janeiro, mas foi adiada sem nova data prevista. O encontro é uma continuidade das conversas realizadas na reunião ocorrida em novembro passado (https://www.sintuperj.org.br/desdobramento-de-encontro-com-governador-plano-de-carreira-pauta-reuniao-entre-sintuperj-reitoria-da-uerj-e-secretario-de-ciencia-e-tecnologia/).
Auxílios
A coordenadora ainda deu como informe o encaminhamento ao Judiciário feito pelo advogado do Sintuperj Jorge Braga, durante o período de recesso acadêmico, de documentação defendendo que a Uerj possui recursos para pagar os auxílios Saúde e Educação. E que o Sintuperj aguarda a resposta do Judiciário sobre se acata a alegação.
Plano de Desenvolvimento Institucional

O servidor e conselheiro universitário Arnaldo Gama chamou a atenção da categoria para as discussões do Conselho Universitário da Uerj acerca do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI). De acordo com ele, os técnico-administrativos estão “invisibilizados” do documento, que, entre outras questões, prevê concurso para docentes mas não contempla o mesmo para técnicos.
Nota de Apoio à Luta das Trabalhadoras e dos Trabalhadores Terceirizados da UERJ
Nós, Servidores(as) técnico-administrativos(as), reunidos(as) em assembleia realizada no dia 28.01.2026, manifestamos nosso total apoio à luta das trabalhadoras e dos trabalhadores terceirizados da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que vêm enfrentando violência representada por atrasos e falta de pagamento dos seus salários, o que os relega a condições precárias de trabalho.
Essa categoria de trabalhadores (as) é parte fundamental para o bom funcionamento cotidiano da Uerj. Ainda assim, seguem submetidos à instabilidade, à insegurança e à negação de direitos básicos, situação que se arrasta há décadas e se agrava diante da persistência na histórica omissão de medidas estruturais por parte de mais uma administração universitária.
É inaceitável que uma universidade pública, comprometida com a produção de conhecimento, justiça social e direitos humanos, naturalize e seja conivente com a precarização do trabalho e do sofrimento de quem também contribui com seu trabalho para a manutenção do funcionamento de seus serviços essenciais.
Na proposta do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) da UERJ que definirá diretrizes, metas e objetivos estratégicos para os próximos quatro anos, não há nenhuma referência política a este segmento de trabalhadores. Sequer são mencionados! Caso essa grave deficiência não seja corrigida na próxima sessão do Consun, a preservação do texto ora proposto representará o grave risco de se institucionalizar a invisibilidade e precariedade destes trabalhadores.
Defendemos o pagamento imediato dos salários atrasados, o respeito aos direitos trabalhistas e a garantia de condições dignas de trabalho!
Nunca é demais pontuar que a terceirização é um projeto neoliberal de desmonte do serviço público. Impedem os concursos públicos e impõem uma forma de privatização, na qual as pessoas que trabalham nas empresas ficam submetidas a essa condição desumana de trabalho.
A luta dos/das trabalhadores(as) terceirizados é uma mobilização por dignidade, por justiça e por uma universidade verdadeiramente pública e democrática, à qual nós, Técnicos, nos somamos.
Deliberações da Assembleia do dia 28 de janeiro de 2026



