Os servidores técnico-administrativos da Uerj promoveram um ato público em frente ao Ambulatório do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), na manhã desta quinta (18/06). Os trabalhadores levaram às razões da greve dos servidores da Uerj, marcada pela precarização das condições de trabalho do hospital e pela necessidade de maiores investimentos do Governo do Estado para que a instituição continue prestando serviços de boa qualidade.

Integrante do Comando de Greve dos técnicos, Gabriel Tolstoy elencou algumas das condições precárias de funcionamento do hospital, como vazamentos, mofos, reformas inacabadas, equipamentos degradados e falta de insumos, além da precarização das relações de trabalho, notabilizada por sobrecarga de trabalho, baixos salários e longos períodos sem reajuste dos servidores, atrasos salariais constantes e inexistência de direitos trabalhistas básicos dos trabalhadores terceirizados e/ou contratados. O que compromete o atendimento da população. Criticou a grande quantidade de trabalhadores contratados, lembrando que os servidores concursados têm mais liberdade para realizar manifestações públicas e denúncias.

Igor Conde, integrante do Comando de Greve, ressaltou que as baixas remunerações dos servidores do Hupe, que inclui baixo incentivo à qualificação, os obrigam a ter que trabalhar em outros locais, comprometendo assim a qualidade de vida dos trabalhadores. Ele afirmou que a grande quantidade de trabalhadores contratados denota um processo silencioso de privatização do hospital, e coloca o Hupe sob risco de seguir o mesmo caminho de outras instituições públicas hospitalares que tiveram o fechamento de setores. Acrescentou a necessidade de reformulação do plano de carreira como forma de garantir a permanência e o ingresso de novos servidores, tendo em vista a atual falta de atratividade da carreira técnico-administrativa.

Durante a manifestação, uma paciente oriunda do Espírito Santo fez uso da palavra e fez um relato pessoal sobre a importância do Hospital Pedro Ernesto para a Saúde da população. Ela exaltou a qualidade do atendimento recebido e afirmou ser uma vergonha que o Governo deixe o hospital abandonado, com atrasos salariais e falta de medicamento. Ela deu total apoio à greve dos servidores da Uerj e afirmou que os trabalhadores podem contar com a ajuda dos pacientes porque todos dependem do trabalho dos profissionais de Saúde.
Retomando a palavra, Igor afirmou que o relato demonstra o quanto o hospital é importante para a população não somente do Rio de Janeiro mas também de outras partes do país e até de fora do Brasil. E reafirmou que a greve é para que haja mais investimentos do poder público em Saúde pública.

Delegado sindical Sintuperj/Hupe, Jorge Luís Mattos (Gaúcho) reforçou que o sucateamento do Hupe é resultado da escolha política de sucessivos governadores do Estado. Afirmou ainda a intenção do ato público e conscientizar pacientes e/ou transeuntes sobre a real situação de precarização do funcionamento do hospital, uma vez que, segundo ele, não é possível garantir até quando os trabalhadores do Hospital Pedro Ernesto suportarão a atual situação.



