
A assembleia dos técnico-administrativos da Uerj desta segunda-feira (06/07) foi marcada pelo repúdio às declarações feitas pela reitora e presidente do Conselho Universitário, Gulnar Azevedo, durante a última sessão Consun (03/07), de que a Uerj voltaria ao funcionamento normal a partir desta semana.
A categoria retrucou que, apesar de os docentes terem suspendido a greve e deliberado retorno às atividades a partir do dia 13/07, a categoria técnico-administrativa ainda não foi contemplada em suas pautas prioritárias. E que, desta forma, permaneceria em greve denotando que “a Uerj não está normal”.
Os trabalhadores reiteraram que os auxílios são pautas fundamentais para a categoria e condicionante para a saída de greve. E classificaram esta semana como uma das mais decisivas da greve, uma vez que na próxima quinta-feira (09/07), às 16h, haverá nova reunião com o governador para tratar do tema.

Apesar da importância dos auxílios, o delegado sindical Sintuperj/Hupe Jorge Luís Mattos (Gaúcho) chamou a tenção para que a categoria não perca de vista a reformulação do plano de carreira.
A coordenadora geral do Sintuperj Regina Souza e o integrante do Comando de Greve dos técnicos, Igor Conde, que representaram os técnicos na última reunião com o governador (03/07), criticaram o fato de o último encontro ter sido ampliado para outras entidades, como o Sepe e a Faetec. De acordo com eles, o andamento do encontro tornou-se confuso com a perda de foco nas discussões. Eles defenderam a realização de reuniões segmentadas como as que ocorreram em outras ocasiões, nas quais somente a comunidade universitária da Uerj estava presente.

Ao final da Assembleia, que deliberou pela manutenção da greve da categoria, os trabalhadores foram à Reitoria cobrar que a Administração Central os recebesse. O que ocorreu no Plenário dos Conselhos, local onde ocorrem as sessões do Consun.
Técnicos são recebidos no Plenário dos Conselhos
Com as presenças da reitora, do vice-reitor, Bruno Deusdará, de Pró-reitores e dos chefes de centros setoriais, os trabalhadores cobraram da Reitoria o cumprimento de seu dever de defender as reivindicações de trabalhadores e estudantes, e não de fazer exposições públicas que possam ir na contramão da conquista de direitos.
De acordo com eles, qualquer pronunciamento neste sentido atrapalha a luta dos trabalhadores, sobretudo em um momento de negociações junto ao Governo. E reiteraram que a universidade não estará com funcionamento normal enquanto os técnicos não conseguirem a efetivação de suas pautas prioritárias, como a volta do pagamento dos auxílios.
Após ouvir as críticas, a reitora se ausentou alegando estar com viagem marcada para Brasília para representar a universidade e que deixaria o restante da Administração Central para dialogar com os trabalhadores.
Em nome da Administração da Uerj, o vice-reitor elencou alguns dos pontos que a atual gestão tem trabalhado desde que assumiu a Reitoria, apontou as dificuldades de evolução de alguns deles devido à Comissão do Regime de Recuperação Fiscal, e reiterou que a Reitoria sempre defendeu e trabalhou no sentido de garantir as reivindicações dos três segmentos (técnicos, docentes e estudantes), seja com as respectivas representações ou junto ao Governo. De acordo com ele, a maior prova de que a Reitoria defende os auxílios é o fato de a atual gestão não ter revogado os atos de decisões administrativas que instituíram os auxílios, mesmo a universidade não tendo tido mais orçamento para pagá-los a partir de fevereiro de 2024 (auxílio saúde) e março de 2024 (auxílio educação).
Afirmou ainda que a Reitoria tem trabalhado para obter suplementação orçamentária para que a universidade possa garantir seu funcionamento até o final de 2026. Em resposta, Gaúcho afirmou que mesmo que a universidade obtenha a suplementação orçamentária ela não funcionaria normalmente, uma vez que sem os auxílios os técnicos não voltam ao trabalho. E sem técnico a universidade não funciona.
Por fim, apesar de já haver uma reunião prevista com o governador para a próxima quinta-feira (09/07) com as presenças de representações de Sepe e Faetec, os trabalhadores cobraram do vice-reitor um contato com o governador do Estado, Ricardo Couto, a fim de agendar uma reunião de forma exclusiva a fim de tratar das pautas dos técnicos da Uerj. O que o vice-reitor deverá dar uma posicionamento nesta terça-feira (07/07).
Fotos: Samuel Tosta



