
Os trabalhadores da Uerj se reuniram em assembleia na tarde do último dia 26/02 no auditório 11, 1º andar, Pavilhão João Lyra Filho, campus Maracanã da Universidade, para debater as questões da categoria. O espaço, que contou com um aumento expressivo da participação dos servidores, definiu importantes pautas de mobilização buscando direitos para a categoria.
Confira os pontos abordados:
Informes gerais: movimentações do Fosperj e reunião com a Reitoria da Uerj
Ao iniciar a assembleia, a coordenadora geral Cassia Gonçalves apresentou dois informes da Diretoria Executiva do Sindicato. O primeiro sobre as movimentações com o Fórum dos Servidores Estaduais do Rio de Janeiro, Fosperj, e o segundo sobre a reunião realizada com a Reitoria da Uerj no dia 25/02.

Em relação ao Fosperj, entidade que o Sintuperj constrói ativamente desde sua criação, o fórum está elaborando uma grande mobilização para o dia 18 de março, com adesão de vários setores do serviço público estadual, com paralisação de 24 horas neste dia para o ato para que os servidores possam comparecer em massa no ato que será promovido em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual, ao meio-dia desta data. Cassia destacou que é necessária a realização de um ato de peso neste último mês antes das mobilizações eleitorais dos representantes do Executivo e Legislativo de seus cargos para concorrer no pleito de outubro deste ano, pra demonstrar a insatisfação pela não garantia das recomposições salariais dos servidores do poder Executivo estadual.
Já no segundo informe, Cassia abordou a reunião realizada entre a Diretoria Executiva do Sintuperj e a Administração Central da Uerj, representada pelo vice-reitor e atual reitor em exercício Bruno Deusdará Rodrigues. De acordo com a coordenadora geral do Sintuperj, este encontro teve o objetivo de cobrar pendências que ficaram em aberto desde o ano de 2025 e que podem ser resolvidas internamente pela Administração Central da Uerj, tendo como base a autonomia e a independência universitária, além de uma reivindicação ativa sobre a atuação da Reitoria da Universidade em relação às pautas externas (Plano de Carreira e recomposições salariais). Foram debatidos como pontos de pauta o Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), recomposição salarial, adicionais de insalubridade e periculosidade, auxílio PCD e convocação de concursos públicos. Todas as informações sobre esse encontro estão disponíveis na matéria abaixo.
Neste ponto da reunião com a Administração Central, Cassia ainda fez um complemento sobre a atualização de triênios e licenças-prêmio, que ficaram represados na época da pandemia. Em conversa com o superintendente de Gestão de Pessoas, Jonatas Aarão, a diretoria do Sintuperj abordou a mudança de postura do Governo Federal, que a priori não poderia fazer a contagem de tempo de carreira por conta dos efeitos da pandemia e contenção de despesas, mas no mês de novembro de 2025 mudou a interpretação, reconhecendo o direito para os servidores federais. No primeiro momento, de paralisação da contagem de tempo, o Governo do Estado seguiu imediatamente a norma federal, mas com a mudança de interpretação o Estado alega que será necessária uma normatização, que ainda não chegou à Uerj. Cassia utilizou esse caso para demonstrar como é fácil para o Estado retirar um direito, mas para retomar o direito retirado sempre existe uma dificuldade imposta.
Análise de conjuntura: diretoria do Sintuperj defende união do funcionalismo público estadual para reivindicar direitos
Um dos principais momentos da assembléia dos técnicos da Uerj foi o ponto da análise de conjuntura, na qual os trabalhadores, em diversas falas demonstraram indignação com o cenário atual de precarização do funcionalismo estadual. Em compasso de espera pela aprovação do Plano de Cargos, Carreiras e Salários (PCCS), pela recomposição salarial pendente desde o ano de 2023 (negociada e não cumprida pelo Governo do Estado) e ansiosa pela resolução de demandas como o pagamento da insalubridade sobre o salário-base, pagamento do adicional noturno, reajuste do Auxílio para a Pessoa com Deficiência (PCD) que já foi aprovado no Conselho Universitário e outras pautas importantes e urgentes, a categoria lotou o auditório 11 do Pavilhão João Lyra Filho para demonstrar a necessidade do Executivo estadual e da Administração Central da Uerj darem respostas rápidas e efetivas que visem valorizar o esforço dos servidores da instituição.

Nesse sentido, houve um debate sobre a questão do Estado de Greve, aprovado na assembleia do dia 26/02, e o principal ponto de discussão foi sobre qual o melhor momento e a conjuntura para a deflagração de um movimento paredista. Nesse sentido, a coordenadora geral Cassia Gonçalves defendeu a manutenção do Estado de Greve, e fez ponderações alertando que nas categorias do funcionalismo público estadual não há um debate sobre a realização de greve: “Hoje nós podemos dizer que o Estado de Greve é um estado de alerta. Agora, o iniciar a greve é um outro movimento. Nós somos a favor da greve, mas ela deve vir organizada, ela não pode vir, como em outros momentos, em outras greves, em que saímos perdendo, com desconto de ponto”, frisou Cassia. Finalizando, a coordenadora geral do Sintuperj afirmou que a Diretoria Executiva do Sindicato também está insatisfeita com o atual momento e, nesse momento, é necessária a união para que todos os servidores possam refletir qual o melhor momento para o movimento grevista: “Nós precisamos saber com quem vamos negociar. Quem é o governo de Estado, que é o governador? A gente vai fazer uma greve para a Reitoria? Precisamos estudar isso”, complementou Cassia.
Outro que comentou os riscos de uma greve sem mobilização e articulação ampla foi o coordenador de Formação e Comunicação Sindical, Carlos Alberto Silveira. Em sua fala, Carlos destacou que “o Sintuperj compõe uma entidade com representações de servidores de vários campos do funcionalismo estadual, e em nenhuma dessas entidades está sendo discutida a possibilidade de greve num horizonte a curto prazo”. O coordenador sindical apontou que “a Uerj entrar em greve sozinha é uma mobilização fadada ao fracasso, porque nós não vamos ter pernas pra isso estando sozinhos”.

O delegado sindical Sintuperj/Hupe Jorge Luis Mattos de Lemos (Gaúcho), em sua fala, destacou que “a greve é um instrumento que nenhum sindicalista pode se dar ao luxo de desprezar, mas é preciso saber a hora de começar pra poder ter hora de acabar”. Gaúcho apontou ainda que “uma greve com o atual governador Claudio Castro é uma greve na qual com 15 dias os servidores irão sofrer com corte de ponto (…) e se os trabalhadores receberem um dia esse valor não pago vai ser devolvido apenas por precatório, daqui há 10 anos”.

Após a aprovação das propostas que foram consenso e não receberam destaques, ocorreu um desacordo sobre a data da próxima assembleia. A Diretoria Executiva do Sintuperj encaminhou como proposta a data de 24/03, para que todos os esforços sejam concentrados na mobilização dos atos aprovados pelo coletivo dos técnico-administrativos e também o ato organizado pelo Fosperj em 18/03. Já um grupo de oposição encaminhou a data de 10/03, no mesmo dia da assembleia docente. Durante as falas de defesa das propostas, a coordenadora Cassia Gonçalves defendeu a data de 24/03 apontando que a assembleia docente tem como pauta a discussão sobre Estado de Greve, e não faria sentido convocar uma assembleia dos técnicos no mesmo dia para deflagrar greve pois não atenderia a necessidade de uma luta unificada. Em contrapartida, a defesa da data de 10/03 serviria para manter a categoria mobilizada e fortalecer o movimento. A partir dessa divergência, houve uma questão estatutária na qual a convocação para uma assembleia com ponto específico de debate sobre deflagração de greve, pois de acordo com o estatuto do Sintuperj, defendido pela Diretoria Executiva, uma assembleia com ponto de pauta de greve só pode ser convocada pela direção ou com um abaixo-assinado contendo o mínimo de 10% de assinaturas de servidores sindicalizados. Uma greve sem respaldo do estatuto é considerada ilegal em sua origem.
Cabe nesse momento ressaltar a posição da Diretoria Executiva do Sintuperj. A gestão sindical reforça que compreende a greve como um instrumento legítimo, mas há de se ter responsabilidade. A deflagração de greve nesse momento, com os trabalhadores da Uerj sendo a única categoria a iniciar um movimento paredista, transformaria os trabalhadores da instituição e a própria entidade em um alvo do Governo do Estado, atacando diretamente os servidores com corte de ponto e criminalização, colocando a opinião pública contra a Universidade. Além disso, há a necessidade de uma construção coletiva da mobilização dos servidores públicos estaduais, e o Fosperj tem cumprido esse papel com participação ativa do Sintuperj, mas nenhuma das entidades que compõem o fórum está discutindo greve em suas bases. O Sintuperj busca, além de lutar pelos servidores, protegê-los de qualquer tipo de ataque que possa vulnerabilizar a categoria.
Como não houve acordo e baseado no estatuto, e com um princípio de tumulto sobre a condução da assembleia, a mesma foi encerrada sem a definição de uma data para a próxima.
Deliberações da Assembleia Geral Extraordinária de 26/02/2026

1) Manutenção do Estado de Greve
2) Panfletagem no dia 09/03/2026, às 12h, no Hall do Queijo, com uso de som e distribuição de carta à comunidade universitária.
3) Paralisação das atividades por 24h no dia 18/03/2026 para participar do ato “Categorias Unidas pela Recomposição Salarial”, às 12h, no Palácio Guanabara.
4) Plenárias nos setores para discutir o seu funcionamento em momento de greve, a ser levada para a próxima assembleia.
5) Criação de um comando de mobilização para ajudar a organizar a luta nas unidades, com participação dos trabalhadores da base e dirigentes setoriais.
6) Ida à Reitoria após assembleia.
7) Moção de apoio aos técnicos das Universidades Federais em greve.
8) Lutar pela inclusão de 02 (dois) representantes aposentados (1 docente e 1 técnico-administrativo) no Consun.



