
Os comandos de greve de técnicos e docentes da Uerj realizaram uma plenária no Auditório Ney Palmeiro visando discutir a organização da greve no âmbito do Hospital Universitário Pedro Ernesto (Hupe), na manhã desta sexta-feira (29/05). Primeira plenária no Hupe desde o início das greves de docentes (25/03) e técnicos (09/04), os integrantes dos comandos de greve que compuseram a Mesa apresentaram um panorama das negociações junto ao governador em exercício, Ricardo Couto, bem como das conquistas obtidas e da própria greve.

Coordenadora geral do Sintuperj, Cassia Gonçalves citou as recomposições e a majoração do auxílio alimentação para R$ 1.500,00. E explicou que, apesar de nas negociações a reivindicação ter sido de R$ 2.400,00, o governador afirmou não ser possível por pretender estender a majoração para outras categorias do Estado que também estavam com demandas represadas. Cassia afirmou que inclusive o benefício abarcará os servidores da Uenf, cujos técnicos também são representados pelo Sintuperj.
A coordenadora também disse que, apesar dos avanços, o que está garantido ainda não é o suficiente para a decretação do fim da greve. E que o governador, durante a última reunião, incumbiu aos trabalhadores a apresentarem as demandas prioritárias que tirariam as categorias de greve. Citando, a Assembleia do dia anterior, Cassia ressaltou como prioridade o envio da mensagem de lei pelo governador à Assembleia Legislativa, com a proposta de reformulação do plano de carreira dos técnicos que se encontra na Casa Civil; o retorno imediato do pagamento dos auxílios Saúde e Educação e a criação de um adicional que compensa a perda dos triênios.
Por fim, afirmou almejar movimento consciente e forte no hospital. E que os trabalhadores da instituição levem aos seus pares os avanços da greve.

O delegado sindical Sintuperj/Hupe, Jorge Luís Mattos (Gaúcho), acrescentou que a proposta de reformulação do plano de carreira protege as aposentadorias de técnicos, que têm sido questionadas pelo Tribunal de Contas do Estado por um erro de interpretação deste órgão. Além de garantir outras pautas represadas pela Comissão de Acompanhamento e Monitoramento Econômico-Financeiro do Regime de Recuperação Fiscal (Comissarf), como a majoração do auxílio excepcional, o pagamento do adicional de insalubridade no vencimento base, entre outras.
Gaúcho afirmou que a supressão dos triênios acabou com a expectativa de carreira, pois servidores com décadas de serviços prestados chegariam ao final da carreira com valores pouco acima do vencimento previsto no início da carreira em virtude do fim dos triênios. E que os comandos de greve estão trabalhando no sentido de elaborar um substituto dos suprimidos triênios.

Integrante do Comando de Greve dos técnicos, Igor Conde classificou a plenária como importante no sentido de integrar mais os servidores do Hupe, que devido às especificidades do trabalho ligado à Saúde, têm mais dificuldades de sair de seus postos de trabalho.
Ele reconheceu que fazer greve no hospital é tenso e cansativo, mas que o caminho para obter mais conquistas é que todos os trabalhadores se mantenham unidos e fortaleçam o movimento grevista. Afirmou que a greve está em um momento crucial, convocando toda a categoria para um importante ato público na próxima terça-feira (02/06), em frente à Secretaria de Planejamento (Seplag), durante a reunião entre a comitiva de servidores, estudantes e Reitoria da Uerj com o secretário da Pasta, às 14h. Classificando esta reunião como preparatória para a próxima reunião com governador.
Sobre a organização da greve no hospital, afirmou que quem organiza a greve são os trabalhadores. Eles quem devem definir o que é atividade essencial, ou seja, o que pode ser adiado sem gerar consequências irreversíveis. E pediu para que os setores rediscutam as essencialidades e levem para as chefias. E ratificou que a Reitoria da Uerj já assumiu o compromisso com os comandos de greve de não dar falta a quem aderir à greve.
Por fim, argumentou que “quem fecha a universidade é o Governo”, não possibilitando que os servidores prestem um serviço de qualidade à população. “Queremos oferecer atendimento de qualidade. Mas, para isso, precisamos ter carreira digna, condições de trabalho”, afirmou.

Presidente da Associação de Docentes da Uerj (Asduerj) e integrante do Comando de Greve docente, Gregory Magalhães ratificou que o atual momento é de afunilamento da greve. E que, por essa razão, as categorias estão definindo as prioridades no que tange às reivindicações. Mencionou que das quatro pautas avançadas nas negociações – recomposição, auxílio alimentação, investimentos na infraestrutura da Uerj via Propag e incidência do triênio na Dedicação Exclusiva (DE) – esta última gera um grave problema por ampliar a disparidade entre os docentes que têm DE e os que não têm. Também por essa razão existe um foco grande na criação de um adicional por tempo de desempenho, que acabaria com essa distorção.
Gregory Classificou como fundamental a assinatura pelo atual governador de um protocolo reconhecendo que o Estado deve as reposições inflacionárias entre 2023 e 2025, para seguir na luta pela efetivação do pagamento. E disse que os comandos de greve estão pleiteando a criação de um Grupo de Trabalho para tratar dos investimentos na universidade via Propag.
A plenária enfatizou a importância da greve no hospital associado ao diálogo com os usuários da instituição sobre as razões da greve, gerando compreensão por parte da população da necessidade das demandas dos trabalhadores, bem como a obtenção do apoio popular à luta, que no fim das contas é um movimento em favor do direito de prestar um serviço de qualidade a essa população.

Ao final da plenária, foi realizada uma caminhada por setores do hospital a fim de conversar com trabalhadores sobre a importância da participação na greve.



