
A Policlínica Piquet Carneiro (PPC) amanheceu nesta terça-feira (19/05) com uma mobilização dos técnico-administrativos da Uerj, que levou ao conhecimento dos usuários e demais trabalhadores da PPC as razões para a deflagração da greve da categoria.

Durante toda a manifestação, os servidores ofereceram um café da manhã aos pacientes que aguardavam suas consultas. Também disponibilizaram folhas para que o público expusesse demandas com relação ao serviço público, que foram penduradas na entrada da Policlínica.

Durante o ato público, os trabalhadores pediram o apoio da população à greve dos servidores, levando e defendendo junto a outras pessoas a justiça das reivindicações. Explicaram ainda que a greve não luta apenas pelos direitos dos servidores, mas também pela qualidade da prestação do serviço público.

Entre os fatores destacados que levaram à greve estão o longo período sem qualquer reajuste nos salários e o descumprimento da lei que prevê recomposições salariais, que não foram pagas nos anos de 2023 e 2024 aos servidores do Executivo – que abrange Saúde, Educação, Ciência e Tecnologia, Segurança, entre outros serviços – além do não pagamento de perdas inflacionárias.
Essa situação, ressaltaram as diferentes falas, representa perda de poder de compra e, consequentemente, de qualidade de vida dos trabalhadores, que enfrentam muitas dificuldades em conseguir manter a si e suas famílias de forma digna.

As condições de trabalho também foram apontadas como um grande gargalo, notadamente marcada por um sobrecarga dos servidores em virtude do déficit de mão de obra ante a demanda por atendimento na área da Saúde. Além do baixo valor pago a título de insalubridade aos servidores da Saúde que lidam constantemente com ambientes contaminados.
No que tange à carreira técnico-administrativa, outro fator apontado como responsável pelo desestímulo à permanência dos servidores é a falta de incentivos quanto à especialização dos trabalhadores, já que a maioria dos técnico-administrativos tem qualificação superior à exigida para o exercício do cargo.

Coordenadora geral do Sintuperj, Cassia Gonçalves afirmou que não restou alternativa aos servidores da Uerj a não ser entrar em greve, citando a desigualdade criada pelo ex-governador Cláudio castro entre servidores do Legislativo e Judiciário com os do Executivo. Estes, de acordo com ela, foram tratados como servidores de segunda categoria. Enfatizou aos usuários da Policlínica que os usuários do serviço público são a razão de existir dos servidores, e que a luta também é pela melhoria do Sistema Único de Saúde.
O subfinanciamento da universidade foi apontado como outro fator de precarização do serviço público, além da terceirização de serviços e da exploração destes trabalhadores, que constantemente são obrigados a trabalhar com salários atrasados. Enquanto que bilhões de reais em impostos deixam de ser arrecadados por meio de sonegações e isenções fiscais, numa política de voltada para o capital em detrimento da população usuário dos serviços públicos. Nesse sentido, foi defendida a necessidade de a população pesquisar e pensar bem em quem votar nas eleições.
Pelo Sintuperj, também participou da manifestação o delegado sindical Sintuperj/Hupe Jorge Luís Mattos (Gaúcho).




